O personagem fêmea pensando no macho.
O personagem macho, pensando na fêmea.
E daí formando a confusão de sofrimento de um e de outro.
Sofrimento esse horroroso e pavoroso.
Porque daí nasce a paixão.
Da paixão nasce a preocupação.
Da preocupação nasce a confusão.
Dois pólos diferentes, que por serem diferentes, em choque sempre um com o outro, devido o ciúme, um com o outro.
Preocupado um com o outro, vigiando um ao outro e o ciúme nasce e cresce e daí, sofrem as conseqüências da tempestade do gosto, da paixão e do ciúme.
Desta forma acabou o sossego, entrando o desespero, um preocupado com o outro.
Um desconfiado do outro.
E dessa forma, a vida das brigas, a vida dos crimes, pela paixão e o ciúme envolvente.
Que envolve dois para se amarem e no amor, mora a amargura, o desassossego, os sacrifícios, os aborrecimentos, as contrariedades e o padecimento.
Do amor de dois bichos, que brigam porque se gostam demais.
E essa, sempre foi a vida do bicho.
Parece que se entendem e sempre desentendidos.
Parece que estão bem e estão mal.
O magnético e o elétrico, os dois personagens, nunca deixam haver satisfação completa.
"O amor é cego".
Cego porque estão dominados por dois personagens, os causadores da cegueira.
Porque se existe feito, é porque existe a causa e por isso, não há efeito sem causa.
A causa da cegueira, da loucura, do "amor é cego" são dois personagens: magnético e elétrico, que envolveu os dois, em uma dose de magnetismo tão grande, que às vezes, até leva ao desequilíbrio total, à loucura feita pelos dois personagens.
O magnetismo atordoante, a paixão atordoante a paixão e a desgraça a todo instante.
E os causadores de toda essa melancolia sem limite, os dois personagens em ação, que acham graça de muita graça, de botar dois artistas em confusão.
Eles riem, acham graça, porque eles são os causadores da palhaçada dos dois palhaços.
Por serem os mentores da palhaçada.
Os orientadores da palhaçada.
Então acham graça, se divertem, dão boas gargalhadas com os infortúnios dos palhaços.
Jogam os dois contendores no picadeiro e assistem de camarotes, os artistas em função.
Como se divertem à custa do desequilíbrio proporcionado por eles, sobre um corpo de vida só e sobre dois então, ainda pior.
Joga um contra o outro.
19 da TRÉPLICA Pág. 75, 76, 80 a 82
Nenhum comentário:
Postar um comentário